Simbolismo
Texto extraido de http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/2689019
Acessado em: 25 de fevereiro de 2013
O Simbolismo foi uma escola literária do
fim do século XIX, surgida na França como reação ao Realismo e,
sobretudo, ao Parnasianismo. Essa escola caracterizou-se por apresentar
uma visão subjetiva, simbólica e espiritual do mundo.
A primeira
obra simbolista foi “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire, datada de
1857. No entanto, o termo Simbolismo foi usado pela primeira vez
somente em 1886, por Jean Moréas, que divulgou um manifesto no qual
afirmava que simbolismo era o único termo capaz de designar as
tendências artísticas da época.
Contexto histórico:
O Simbolismo na Europa
O
Simbolismo representou, na Europa, a estética literária do final do
século XIX, que foi contra as propostas do Realismo, que valorizava o
material e o objetivo. O Simbolismo é oposição vigorosa ao triunfo de
coisa e de fatos sobre o sujeito.
O Simbolismo no Brasil
No
Brasil, o Simbolismo começou em 1893, com a publicação de dois livros:
Missal (prosa) e Broquéis (poesia), ambos de Cruz e Sousa. Estendeu-se
até o ano de 1922, data da Semana de Arte Moderna. Diferente do que
aconteceu na França, onde o Simbolismo sobrepôs-se ao Realismo e ao
Parnasianismo, no Brasil o Simbolismo foi quase inteiramente abafado por
esses movimentos, que tiveram muito prestígio entre as camadas cultas
do país.
Na realidade, no final do século XIX e início do século
XX, três tendências caminhavam paralelas: o Realismo em suas
manifestações (romance realista, romance naturalista e poesia
parnasiana); o Simbolismo, situado à margem da literatura acadêmica da
época; e o Pré Modernismo, com o aparecimento de alguns autores
preocupados em denunciar a realidade brasileira, como Euclides da Cunha,
Lima Barreto e Monteiro Lobato, entre outros.
O movimento
simbolista chegou ao seu fim com a Semana de Arte Moderna, que
neutralizou todas essas estéticas e traçou novos e definitivos rumos
para a literatura brasileira.
O Simbolismo no Brasil teve um
caráter poético. A prosa praticamente não existiu, uma vez que, quando
houve prosa, ela foi poesia em prosa e pode ser encontrada na obra de
Cruz e Sousa. Os principais autores dessa escola no país foram: Cruz e
Sousa, representante máximo da estética simbolista brasileira, Alphonsus
de Guimaraens, e Pedro Kilkerry.
Momento histórico
O
Simbolismo refletiu um momento histórico extremamente complexo, que
marcou a transição para o século XX e a definição de um novo mundo, o
qual se consolidou a partir da segunda década deste século; basta
lembrar que as últimas manifestações simbolistas e as primeiras
produções modernistas são contemporâneas da Primeira Guerra Mundial e da
Revolução Russa.
As correntes materialistas e racionalistas da
segunda metade do século XIX não mais respondiam às exigências de uma
nova realidade, já que o processo burguês industrial evoluía a passos
largos, gerando até mesmo a luta das grandes potências pelos mercados
consumidores e fornecedores de matéria prima.
A unificação da
Alemanha (1870) e da Itália (1871) alavancou o processo de
industrialização desses países (chamados países de capitalismo tardio) e
os colocou na disputa por novos mercados. Por esses motivos,
fragmentou-se a África e ampliaram-se as influências sobre os
territórios asiáticos; desenvolveu-se, assim, a política do
neocolonianismo e tomou corpo o fantasma de uma guerra envolvendo os
países europeus.
Sempre que se torna difícil analisar o mundo
exterior e entendê-lo racionalmente, a tendência natural é negá-lo,
voltando-se para uma realidade subjetiva. As tendências espiritualistas
renasceram. O subconsciente e o inconsciente foram valorizados, segundo a
lição freudiana. O crítico Henri Peyre, em seu livro A Literatura
Simbolista afirma:
“A literatura simbolista dos dois últimos decênios
do século XIX prezou tudo o que era langor, cansaço de viver,
isolamento de um público eu ela queria manter afastado de seus arcanos,
oposição à civilização tecnológica acusada de materialista.”
Características do Simbolismo
Literatura:
-
Preocupação formal que se revelou na busca de palavras de grande valor
conotativo e ricas em sugestões sensoriais; o Simbolismo não pretendia
descrever a realidade, mas sugeri-la;
- poesias carregadas de musicalidade;
- a poesia foi encarada como forma de evocação de sentimentos e emoções;
- frequentes alusões a elementos evocadores de rituais religiosos;
- preferência por temas subjetivos que tratem da morte, do destino, de Deus etc.;
- enfoque espiritualista da mulher, envolvendo-a num clima de sonho onde predomina o vago, o impreciso e o etéreo.